
A avaliação de máquinas e equipamentos é uma atividade altamente especializada que, à semelhança da avaliação de imóveis, obedece a regras rigorosas e a procedimentos normalizados. Trata-se de uma área em que a precisão técnica e a fundamentação metodológica são fundamentais, pois os resultados de uma avaliação podem ter impacto direto em decisões estratégicas de investimento, em processos judiciais, em operações de financiamento e até em auditorias contabilísticas.
Tal como acontece na avaliação imobiliária, também neste domínio as regras não são arbitrárias nem ficam ao critério individual do perito. Pelo contrário, têm uma base internacional sólida e visam garantir três aspetos essenciais: a transparência, que assegura que todos os intervenientes compreendem os pressupostos e os resultados; a comparabilidade, que permite analisar diferentes avaliações em condições de equidade; e a credibilidade, que é indispensável para que o relatório de avaliação seja aceite por instituições financeiras, seguradoras, auditores ou autoridades regulatórias.
As principais referências normativas encontram-se em três documentos estruturantes: as International Valuation Standards (IVS), o Red Book do RICS e as European Plant, Machinery & Equipment Valuation Standards (EVS-PME). Estes textos constituem a base de enquadramento técnico e metodológico, assegurando que as avaliações não são apenas fruto da experiência ou sensibilidade do avaliador, mas sim o resultado da aplicação de princípios e procedimentos internacionalmente reconhecidos.

No caso do RICS (Royal Institution of Chartered Surveyors), a avaliação de máquinas e equipamentos está enquadrada na área designada Machinery and Business Assets (MBA). O RICS estabelece uma exigência clara: apenas membros que detenham o nível 3 nesta competência podem assinar relatórios de avaliação de máquinas e equipamentos. Este requisito é particularmente relevante, pois traduz a preocupação da instituição em garantir que o avaliador possui conhecimento técnico aprofundado, experiência prática comprovada e a capacidade de aplicar corretamente as normas internacionais em diferentes contextos.
Por seu lado, a TEGoVA (The European Group of Valuers’ Associations) instituiu a certificação Recognised European Plant, Machinery & Equipment Valuer (REV-PME). Esta distinção é atribuída a profissionais que demonstram competência técnica, independência e adesão às melhores práticas europeias. A certificação REV-PME funciona, assim, como um selo de qualidade que assegura aos clientes e às entidades envolvidas que a avaliação está em conformidade com padrões rigorosos e homogéneos a nível europeu.
A relevância destas certificações é reforçada pela crescente exigência do mercado. Em múltiplos cenários — desde o financiamento de empresas, passando por operações de fusão e aquisição, até à contratação de seguros ou à preparação de demonstrações financeiras — é indispensável dispor de relatórios de avaliação de máquinas e equipamentos realizados por peritos qualificados. Uma avaliação mal conduzida pode levar a subavaliações ou sobreavaliações significativas, com consequências económicas diretas para os intervenientes. Por exemplo, na contabilidade, a correta valorização de ativos influencia não só o balanço das empresas, mas também indicadores de solvabilidade e de desempenho. Já no contexto do seguro, uma má avaliação pode originar prémios desajustados ou indemnizações insuficientes em caso de sinistro.
Outro aspeto relevante é que a avaliação de máquinas e equipamentos exige frequentemente a conjugação de múltiplos métodos, como o abordagem de custo, de mercado ou o método do rendimento, sendo a escolha dependente da natureza do ativo, do seu ciclo de vida e do contexto em análise. A aplicação rigorosa destas metodologias requer não apenas conhecimento académico, mas também experiência prática acumulada em diferentes setores industriais — desde a maquinaria agrícola até às linhas de produção de alta tecnologia, passando por equipamentos energéticos, hospitalares ou de construção.
Assim, a avaliação de máquinas e equipamentos não pode ser encarada como uma atividade secundária ou acessória no universo da avaliação. É, pelo contrário, um campo de especialização que exige formação contínua, atualização normativa permanente e uma sólida base de prática profissional.
Dada a relevância do tema, e enquanto perito avaliador de máquinas e equipamentos certificado com o nível 3 em Machinery and Business Assets do RICS, comprometo-me a publicar regularmente artigos e newsletters sobre esta matéria. O objetivo é duplo: por um lado, partilhar conhecimento técnico e boas práticas; por outro, contribuir para uma maior compreensão do papel que a avaliação de máquinas e equipamentos desempenha no contexto económico e empresarial atual. Ao longo destas publicações serão abordados casos práticos, metodologias de avaliação, enquadramentos normativos e desafios emergentes, procurando sempre reforçar a qualidade e a credibilidade da prática avaliativa.



