Durante as últimas semanas, entrevistas e afirmações públicas de diversos “players” do mercado imobiliário têm interrogado, e com preocupações bastante legítimas, a oportunidade de se realizarem avaliações de imóveis, quando o impacto do estado de emergência é avassalador. 

Aligeirando a escrita, diríamos que passou a existir “nesta altura do campeonato” uma pressão significativa sobre a avaliação de imóveis e sobre o trabalho dos peritos avaliadores de imóveis, em particular.

Concordamos que esta fase, em que não existem transações ou as que existindo se reportam a alturas anteriores ao estabelecimento do estado de emergência, tem impacto na avaliação de imóveis mas não ao ponto de se equacionar a suspensão dos processos de avaliação imobiliária.

A abordagem de mercado sofreu um grande “rombo” enquanto ferramenta do perito avaliador de imóveis mas, por outro lado, a abordagem de rendimento configura-se como uma boa solução. E cabe aqui recordar mais uma vez que, em circunstâncias muito bem ponderadas, as IVS-International Valuation Standards permitem a utilização de uma só abordagem na avaliação de um imóvel.

Como bem dizia Vítor Reis, no webinar organizado pela ESAI sobre o título “Os Impactos do Covid-19 no Futuro do Imobiliário”, “Temos que pensar no imóvel não apenas hoje, na sua capacidade de gerar rendimento hoje, mas durante toda a sua vida”.

Tem também causado alguma confusão a colocação de uma cláusula “Incerteza material” na avaliação, colocação essa em linha com o RICS e o “Red Book”. Parece surgir a ideia que a aplicação desta cláusula na avaliação de imóveis impede a utilização do relatório de avaliação.

Não é esse o nosso entendimento e a este propósito citamos a “press statement” de Ben Elder, FRICS RICS Global Director of Valuation:

“Where a material uncertainty clause is being used, its purpose is to ensure that any client relying upon that specific valuation report understands that it has been prepared under extraordinary circumstances. 

“The term is not meant to suggest that the valuation cannot be relied upon; rather, it is used in order to be clear and transparent with all parties, in a professional manner that – in the current extraordinary circumstances – less certainty can be attached to the valuation than would otherwise be the case. Indeed, with regard to the process itself, professional valuers will almost certainly have undertaken far more due diligence than normal, in order to arrive at their estimate of value.”