Às vezes escrevemos sobre assuntos que vão mantendo a sua atualidade, mesmo que lidos quase quatro anos depois. É o caso do artigo que escrevemos para a Vida Imobiliária, em 28 de abril de 2015, sobre siglas e acrónimos: 

“Os últimos meses, por força da turbulência da banca e das audições parlamentares, foram muito profícuos no aparecimento de siglas e acrónimos, provavelmente desconhecidos do grande público.

O conhecimento destas expressões é muito importante, no limite, porque permite disfarçar o eventual desconhecimento sobre muitas matérias que costumam andar na ordem do dia ou porque fica muito bem, em conversas de circunstância, a sua aplicação. 

E o imobiliário não é exceção! 

Quem faz da atividade de avaliação de património o seu trabalho também não foge à aplicação de siglas e acrónimos. 

Como o Português é mais importante que tudo o resto, esclarece-se a diferença entre sigla e acrónimo: a sigla é pronunciada segundo a designação de cada letra (ex: IFRS), e o acrónimo é pronunciado como uma palavra só (ex: TEGoVA). 

De uma forma reconhecidamente ligeira, eis algumas siglas e acrónimos utilizados na avaliação imobiliária: 

-CAPM: Capital Asset Pricing Model, necessário para se encontrar a taxa de desconto quando se utiliza, nas estimativas, o “Free Cash Flow to the Equity”. Obtém-se a partir da taxa de juro sem risco, prémio de risco e beta dos ativos em estudo. 

-DCF: Discount Cash Flow, uma metodologia que permite avaliar um ativo tendo em conta a sua capacidade de gerar fluxos de caixa. 

-IASB: International Accounting Standards Board, uma organização internacional sem fins lucrativos, responsável pela publicação das IFRS, anteriormente IAS (International Accounting Standars). 

-IFRS: International Financial Report Standards (Normas Internacionais de Relato Financeiro), que, grosso modo, correspondem às normas internacionais de contabilidade, adotadas pelos países da União Europeia pelo regulamento (CE) n.° 1725/2003. 

-IPMSC: International Property Measurement Standards Coalition (IPMSC), que é um grupo de 58 organizações profissionais e sem fins lucrativos de todo o mundo, comprometido como desenvolvimento e implementação de um padrão internacional único para medição da propriedade, as IPMS (International Property Measurement Standards).

-IVSC: International Valuation Standards Council, responsável pela publicação das IVS- International Valuation Standars (Normas Internacionais de Avaliação). 

-NCRF: Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro. Emanam da adoção das Normas Internacionais de Contabilidade e do SNC- Sistema de Normalização Contabilística. Para a avaliação são importantes a NCRF 7 (Ativos Fixos Tangíveis), a NCRF 8 (Ativos não correntes detidos para venda e unidades operacionais descontinuadas), a NCRF 11 (Propriedades de Investimento) e a NCRF 12 (Imparidade de Ativos). 

-RICS: Royal Institution of Chartered Surveyors é uma organização profissional independente, com sede em Inglaterra, que congrega profissionais do imobiliário de todo o mundo, regulados por um Código de Ética e Normas Profissionais comuns, muito rigorosas. É responsável pela publicação do RED BOOK, as normas de avaliação mais conhecidas mundialmente, e que os seus membros têm que seguir, estritamente. 

-TEGoVA: É uma associação europeia sem fins lucrativos, que representa sessenta associações de avaliadores de trinta e três países.

É também responsável pela publicação das European Valuation Standards (Blue Book), as normas europeias de avaliação. 

-YIELD: uma taxa de retorno exigida ao capital investido. 

-WACC: Weighted Average Cost Of Capital (Custo Médio Ponderado de Capital), necessário para se encontrar a taxa de desconto quando se utiliza, nas estimativas, o “Free Cash Flow to the Firm”. É obtido a partir da % de capital alheio na estrutura de capitais de uma empresa, da % de capital próprio na estrutura de capitais, na taxa de custo da dívida, na taxa de custo do capital próprio e da taxa marginal de imposto. 

E, já agora, a mais importante de todas, VI, a nossa Vida Imobiliária!”